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1 de novembro de 2011

P A X > E T > A M O R


A vida é meio maluca. Lê-se um rascunho aqui, escuta-se um refrão ali e nada é completo. Parece como que estes tempos modernos trouxeram pelo braço a incompletude e tudo veio em mil-e-muitas partes. É muito fácil e cômodo obter partes de informação, trechos de algo maior que nunca é descoberto por completo. Fico sempre com a sensação de que o que sinto é incompleto, raso e aguado. Pseudo-sentires. Que os porquês que meus sentidos aguçados captam são meros meios-porquês. Um vazio incondicional que raras vezes é preenchido. Só naquela gargalhada profunda e sincera com uma grande besteira que, em meio a amigos reunidos, seu amigo solta. Naqueles raros momentos em que parece existir um Deus, Força Maior, Luz - ou como você queira chamar, capaz de dar sentido a esta rotina de dias. Ou naquele sentimento que, vez ou outra, parece emergir à superfície do coração, que ultrapassa os objetivos que sempre temos para cada ação, e simplesmente se revela como algo sem sentido, apenas sendo. Ou naquele Sol que se vê firme no horizonte num fim de tarde amarelado, em meio à temperatura perfeita pro corpo, com iluminação digna de ouro em Cannes. Num texto que te dá um choque e te faz compreender algo que você tava pensando há muito tempo. Num ensino digno de reverência. Ou num Van Gogh. No horizonte. Música. Amor. Violino. Eureka. Réveillon. Estes estados de percepção deveriam ser mais comuns. Ou não, vai ver a raridade é o combustível do prazer.

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16 de outubro de 2011

o meio

Quem coloca-se sempre em evidência, teme o anonimato
Quem mostra-se demais sempre a postos, julga ser melhor do que a multidão
Quem está sempre a falar, tem medo do silêncio e de suas descobertas
Quem pouco fala, receia o compromisso das palavras
Quem brinca demais, teme encarar a retidão da seriedade
Quem quer desesperadamente ser sempre o melhor em tudo, tem medo de se descobrir um perdedor em algo
Quem critica demais, teme se encarar
Quem fala demais dos outros, teme ver o que reflete o espelho
Quem deseja sempre a solidão, teme a união e suas implicações
Quem busca sempre estar com alguém, teme a solidão e suas constatações
Quem nunca dá ordens, teme a responsabilidade do comando
Quem sempre obedece, teme o custo da autonomia.

O Caminho está no meio.


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2 de maio de 2011

destino

a cada hora que passa, cada minuto
me parece que não dá pra fugir do nosso destino
ele me puxa, me chama
à cada esquina, ele me segue
arma situações, elabora soluções
ameniza tormentos
me persegue a cada momento
não me deixa esquecê-lo
me chega por um pensamento, uma foto, uma ideia.

já não sei o que é mais forte
se eu,
ou se... Deus!? (!!??)


Destino, Vontade, Deus ou Acaso?

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25 de abril de 2011

sonho comum

nem é nada demais, só um pouco de Paz
um quarto bonito, uma cama de casal e filmes coloridos
no meu sonho comum
umas paredes que construí e umas folhas que escrevi
ser um paraíso na Terra, um refúgio no mundo
um lugar pra me esconder de todos, de tudo
com um amor intenso num quarto escuro
um novo lugar pra chamar de lar
com fogo permitido da ducha à sala de estar
intimidade pra desfrutar
um lindo jardim, espaço pra ver o céu e roupa confortável pra vestir em mim
uma companhia quente em uma rede macia
com música todo dia
um carro que funcione e filhos que me emocionem
dois pares de tênis, um pra passear, outro pra trabalhar
e um amor verdadeiro, pra prosear noite adentro sem cansar,
no meu sonho comum.

repete ad infinitum.

23 de abril de 2011

o que é que fica?

fui tirando as máscaras
os hábitos e a educação
fui desaprendendo o que aprendi a gostar
fui deixando de ouvir os timbres de sempre
um a um, fui matando meus ídolos
fui esquecendo as cores que mais gostava
desaprendi a usar as roupas da moda
os bons modos, deixei de lado
tudo o que li, aniquilado
esqueci as hierarquias sociais
deletei os valores que me alicerçavam
os pudores, ficaram pra trás
me despi perante Deus.

quando a gente tira tudo o que foi aprendido, o que é que fica?


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14 de abril de 2011

amor é sereno


As pessoas não encontram o amor porque querem frio na barriga constante. Eu já quis. Por isso, vivi mal. A gente se dá mal quando persegue uma coisa irreal. Já tive frio na barriga quinhentas vezes. Frio na barriga acontece com tanta gente. O amor, não. Amor não é calafrio diário, amor é sereno. Amor não é mar agitado, amor é rio tranquilo.


Baseado em Clarissa Corrêa

11 de abril de 2011

Só Um

essa busca de Um
objetivo maior
que perpassou por pântanos molhados
e fogos cruéis
deveras forjado, em aço e revés
da estrada que passa
por debaixo de nossos pés
caminha distante, ao contrário e avante
e essa estrada não naufraga o valor
mesmo amordaçado, permanece o calor
de dias de luta, em pele marcada e suor
continua na estrada, olhando tudo que chega
comprovando a cada dia, como é bonito ser de um só.


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30 de março de 2011

25 verões

Uma coisa que a idade traz, é a estabilidade. O horizonte se equilibra e a visão se torna mais firme. As tribulações da formação vão sendo escanteadas e o que realmente somos vem se firmando. Vontades dos outros, que não nossas, alheias a nós - materializadas em nós - vão sendo desconsideradas e nossa real Vontade, se norteando. Os 25 anos assustam, à primeira vista, mas trazem mais firmeza do que se quer, do que se busca e, em especial, de como fazer. Essa parte é especial: o "como" das coisas. Realizar é a parte mais importante do processo. Visão sem ação é nada. Vontade sem ação é pouco. Falar sem fazer é ofensa. As oscilações - típica característica da juventude tresloucada, diminuem e o chão se mostra mais confiável. Não é assim pra todo mundo. Uns antes, outros depois, outros jamais. Mas chega pra todos.
Chegou aqui.


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27 de março de 2011

química



e dessa química entre corpos, verdadeira enquanto reduzida ao ambiente
explosão de artifícios quando em contato
bela como todos os outros laços
pouco confiável em profundidade
é matéria, é matéria
e toda matéria é vã mortal
mas causa de imagens em projeção e parada do Tempo
atemporal no momento
explosão dos sentidos
combustível para o dia-a-dia
beleza de vida.


"A gravidade é um mistério do corpo
Tão somente corpo, tão somente corpo
Como um poema pelo ar tem que virar ausência de corpo
Meu coração aliviado, sonhar em estado solto
Quem mostra a pele pura sob a luz do luar de um dia para o outro
A preciosa rocha que abre do amarelo do teu corpo é luz"


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