27 de julho de 2011

pensar //

O interesse é a única medida do valer a pena. Para o interessado, o outro continente é perto. Para o desinteressado, o outro bairro é longe. // Sabedoria Liviana

24 de julho de 2011

Deixa-me seguir

Tenta esquecer-me...
Ser lembrado é como evocar um fantasma...
Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...

Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...

Toda a tristeza dos rios
É não poderem parar!



Mário Quintana

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12 de julho de 2011

Cada minuto me ensina a não olhar pra trás.

Título basta.

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O quadro

Pessoal, quero dois sonhos no quadro, agora, sem pensar muito pra ser sincero. Luísa foi lá, estrear letras sobre a lousa branca. Não demorou a retornar e pôr-se em sua banca. Luz, tua vez. Já ele de pé, de costas para a classe, meio nervoso sem nem saber porque, com o piloto preto que falhava na mão. Pegou o azul, apoiou o antebraço na lousa pra escrever... parou um pouco, pensou e surgiu rápido: 1. Pular de uma cachoeira. Pensou mais, nada lhe vinha. Enquanto pensava, já achando que estava a tempo demais na frente de todos, reparou que o segundo sonho de Luísa estava vazio — o número, o ponto, e pronto. Achou estranho, mas não se deteve muito nisso. Pensou mais e logo lhe surgiu: 2. Ganhar na loteria — era mais do que óbvio. Foi lá, sentou cheio de sí e olhou pro quadro. Além dos seus, só havia um sonho: 1. Felicidade.

Baixou a cabeça, e envergonhado viu no que se havia tornado.

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16 de junho de 2011

de tamanho e grandeza


Sempre vem, depois de dias mortos a esmo
Quando passa-se pela vida sem sequer tocá-la
Enquanto faz-se dela algo sem sentido real
Tantas metas, sem entender o objetivo central
Aparece na minha porta a cada ato friamente pensado
Enquanto me reduzo a mero instrumento de mercado
Quando me transformo em máquina, nesse homem-coisa
Quando me dizem que o capital fala mais alto
Sempre que vejo uma quantidade valer mais que uma qualidade
Quando passo mais de 6 meses na mesma cidade
Sempre que isso aparece, fico pensando comigo:

A vida é muito grande pra ser pequena.



6 de junho de 2011

// frase

O ser humano só vê claramente no mundo exterior, o que ele pode iluminar com a luz de seu interior. // Rudolf Steiner.

29 de maio de 2011

tudo bem aqui.


nada fora do Homem
e tudo nele próprio
nada fora de nossos sentidos
tudo dentro desses mecanismos mesmos
nada além da mente
tudo por ela criado
nada que não seja sem vontade imperado
tudo que o Homem haja desejado
nada concreto em si mesmo
tudo por ele avaliado
nada de mal em nada
tudo pelo Homem usado
nada verdadeiro nem falso em tudo
tudo por nós valorado.


"O Homem é a medida de todas as coisas." // Pitágoras


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25 de maio de 2011

Quimeras necessárias


Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade.

Esta dupla ação, de extrema importância, arrancar as más raízes e implantar nova moral, constituirá a vida social da humanidade. Aqui a ciência não pode nos libertar. Creio mesmo que o exagero da atitude ferozmente intelectual, severamente orientada para o concreto e o real, fruto de nossa educação, representa um perigo para os valores morais. Não penso nos riscos inerentes aos progressos da tecnologia humana, mas na proliferação de intercâmbios intelectuais mediocremente materialistas, como um gelo a paralisar as relações humanas.

A arte, mais do que a ciência, pode desejar e esforçar-se por atingir o aperfeiçoamento moral e estético. A compreensão de outrem somente progredirá com a partilha de alegrias e sofrimentos. A atividade moral implica a educação destas impulsões profundas, e a religião se vê com isto purificada de suas superstições. O terrível dilema da situação política explica-se por este pecado de omissão de nossa civilização. Sem cultura moral, nenhuma saída para os homens.



Do livro Como vejo o mundo, de Albert Einsten.

23 de maio de 2011

agradeço


às vezes, duvido da retidão de Deus
e principalmente da Justiça perfeita
Ordem exata, sem margem de erro.

É bom demais comigo. Sempre foi.
Em tudo, em cada aspecto. Ao redor, em cada esquina.
Em cada pessoa. Em cada porta aberta.
Em cada placa que chama. Em cada ideia que chega.
Em cada pessoa que clama. Em cada alma que ama.
... em cada oportunidade a mim nomeada.

Não sei se mereço. Desconfio se mereço.
Reverencio..., agradeço.



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19 de maio de 2011

corações encouraçados

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Na chuva de vaidades, comportamentos que caibam bem
Em hierarquias inferiores, ponderar opiniões cabíveis
Sem rosto... o vazio por não ser você
Quando controlado, esconde a frustração
Mas em controle impõe as mesmas condições

Quem pode ser alguém neste vazio funcional?
Quantos salários vão calar a sua opinião?
Normas de conduta sem respirar
Acomode a angústia só mais uma vez

Guardando a própria lágrima, vendo o outro chorar
O que não pode ser explicado nesse amor que faz matar, que faz morrer
Couraças em regras... a dança por Poder

O vazio de não perceber
O vazio de nunca entender...


COURAÇA
dead fish

verbo ao vento

falo só
pelo que vir
e falo sim
parece que falo só pra mim
comunicação sem volta
o eco como resposta
é assim que soa
às vezes pensando tolo
queimando tempo
desperdiçando verbo.
deslocado
entorpecido
iludido e fim.

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(c)oração



coração não é tão simples quanto (se) pensa
nele cabe o que não cabe na dispensa ♫ ♪


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18 de maio de 2011

o navio materialista indo a pique.


Promessas eternas por cumprir, e mortos demais a esperar
sobre uma Terra fértil à espera de mãos pra plantar
Mas os punhos fechados e amargos dos proprietários do terceiro mundo
Beberam sangue demais pra perdoar
Mentalidade tacanha e assassina nas favelas do terceiro mundo
Mortos, suicídios, chacinas, somados, é o que se vê!

Minério, violência, especulação
Bens materiais a amar!
Prédios altos que mostrarão quão grande o tombo será

Mas a ordem e progresso assassina dos educados do terceiro mundo são cegas demais pra perceber
Mas o ódio e a fome dos sem teto do terceiro mundo...
Justiça por caos, podemos ver!


PROPRIETÁRIOS DO TERCEIRO MUNDO
dead fish

17 de maio de 2011

13 de maio de 2011

algumas definições [pra manter vivas, ativas e bem próximas]

Complacência - disposição em atender os desejos de outrem para agradar.

Resiliência - capacidade de restaurar o seu estado original após um grande impacto.

Apego - não querer abrir mão de um desejo, idéia fixa, exigência de resultados pré-determinados. Falta de força.

Vaidade - desejo de querer provocar uma influência positiva na imagem que as outras pessoas tem de você. Ou, desejo de atrair para si a admiração dos outros. Ou, auto-proclamar-se superior. No fundo, medo de descobrir-se falho.

Orgulho - variação da vaidade. Arreio que bloqueia a execução de uma tarefa que deve ser feita.




Baseado em Fóssil Humano.

8 de maio de 2011

...




dar sentido à vida pode levar à loucura
mas uma vida sem sentido é uma tortura da inquietação e do vão desejo.

// colligere


Livre adaptação de
O Grito, de Munch

if is life that we spend day after day...



All I need is to have you here
You make me flow, so sweet too see
All I know is that you make me numb
It's always cool and lives through

Many streams that turn into rivers
In the morning walk I walk near the edge
I even stared at the sky hoping to get closer
In the morning walk I walk near the edge
In the morning walk I walk near the edge
In the morning walk I walk near the edge

I can't decide what is the best thing
Where am I? Where am I? Where am I? Where am I?
And time will take you
And time will take you so slowly and too far
And everyone at his own speed but I will take any
Where am I? Where am I? Where am I? Where am I?
And everyone at his own speed but I'll take any
But I'll take any

If is life that we spend day after day
It's all I need again
If is time that we spend losing all my sense
It's all I need again
It's all I need again to bring you close to my heart
In my mind you have a taste taking all my senses
It's all I need again


THE MORNING WALK
garage fuzz

2 de maio de 2011

destino

a cada hora que passa, cada minuto
me parece que não dá pra fugir do nosso destino
ele me puxa, me chama
à cada esquina, ele me segue
arma situações, elabora soluções
ameniza tormentos
me persegue a cada momento
não me deixa esquecê-lo
me chega por um pensamento, uma foto, uma ideia.

já não sei o que é mais forte
se eu,
ou se... Deus!? (!!??)


Destino, Vontade, Deus ou Acaso?

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1 de maio de 2011

frase //

A força não provém de uma capacidade física, e sim de uma Vontade indomável. // Gandhi

26 de abril de 2011

ser positivo







Tantas divisões pelo caminho
Nossa guerra sempre foi a menos pior
Se ainda conseguimos rir de tudo
Por pior que isso seja, ainda faz a diferença

Fico imaginando quem roubou nossa inocência
Tento descobrir a quem culpar
Quero acreditar na velha e na nova
Em ser positivo e nunca desistir.





de Venceremos, por Dead Fish.

25 de abril de 2011

sonho comum

nem é nada demais, só um pouco de Paz
um quarto bonito, uma cama de casal e filmes coloridos
no meu sonho comum
umas paredes que construí e umas folhas que escrevi
ser um paraíso na Terra, um refúgio no mundo
um lugar pra me esconder de todos, de tudo
com um amor intenso num quarto escuro
um novo lugar pra chamar de lar
com fogo permitido da ducha à sala de estar
intimidade pra desfrutar
um lindo jardim, espaço pra ver o céu e roupa confortável pra vestir em mim
uma companhia quente em uma rede macia
com música todo dia
um carro que funcione e filhos que me emocionem
dois pares de tênis, um pra passear, outro pra trabalhar
e um amor verdadeiro, pra prosear noite adentro sem cansar,
no meu sonho comum.

repete ad infinitum.

23 de abril de 2011

o que é que fica?

fui tirando as máscaras
os hábitos e a educação
fui desaprendendo o que aprendi a gostar
fui deixando de ouvir os timbres de sempre
um a um, fui matando meus ídolos
fui esquecendo as cores que mais gostava
desaprendi a usar as roupas da moda
os bons modos, deixei de lado
tudo o que li, aniquilado
esqueci as hierarquias sociais
deletei os valores que me alicerçavam
os pudores, ficaram pra trás
me despi perante Deus.

quando a gente tira tudo o que foi aprendido, o que é que fica?


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21 de abril de 2011

Ora Lege Lege Lege Relege labora et invenies.




"Ora Lege Lege Lege Relege labora et invenies."


A inscrição acima, epígrafe da décima quarta — a penúltima — prancha do livro mudo da alquimia, o Mutus Liber, deve encerrar também a profissão-de-fé do estudioso da filosofia.
“Reza, lê, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás” anuncia a conclusão do trabalho alquímico.









Artigo "Apolo-Prometeu e Dioniso: dois perfis mitológicos do
'homem das 24 horas' de Gaston Bachelard", por Alexander de Freitas - USP